30.11.08

Arte Marginal

A expressão artística fora dos padrões estéticos valorizados socialmente é um campo do qual se podem extrair linhas de pensamento mais livres, críticas e carregadas de contestação social. Quem define o que é certo e errado na Arte? Os espectadores. A cultura dominante e a mídia exercem papel regulador na divulgação de artistas e formas de expressão, mas a poesia alternativa, a arte de rua e outras formas não convencionais de produção artística têm seus apreciadores, seu público que está inserido no contexto de sua produção. Até quando haverá esta divisão entre arte acadêmica e arte espontânea, de rua, alternativa, marginal?
A Cultura manifesta-se de forma plural e cada indivíduo é produtor, tem potencial criativo de expressão. No entanto, a mídia ainda tem o poder de legitimação bastante expressivo no sentido de valorizar apenas a arte que segue determinados padrões estéticos, não aceitando novas formas de expressão e criação, contestação. Se há artistas que contestam e enfrentam o poder cultural dominante é porque certamente há o que ser contestado e há o que ser discutido, não se pode simplesmente generalizar os artistas de rua como vândalos ou ‘baderneiros’.
Portanto, faz-se necessária a valorização e o incentivo das produções alternativas, como nos últimos cinco anos está acontecendo, a Bienal que recebeu obras de grafiteiros, a poesia independente sendo legitimada. Mas estes ainda são apenas atos iniciais para romper com os paradigmas da produção artística. O artista deve ter o direito de expressar-se, e não ser taxado de criminoso por isso.

imagem: Hélio Oiticica

7.9.08

peixes são mudos

Os peixes nadam nadam nadam
(no nada? no tudo?)
águas profundas
águas calmas
vezes turvas
vezes límpidas

cavernas submersas
locais inexplordos
algas jamais vistas
peixes coloridos
brilhantes

mas sempre mudos
sem piscar
os olhos paralisados

o que teria dentro d'um peixe?

carne branca
absorveu toda a luz que pôde
pra poder continuar nadando
nas profundezas escuras

vai à superfície
banho de ar de luz
mergulha sem medo
ávido por nadar e nadar.

22.8.08

Arte, Escola e Linguagem.

No ensino-aprendizagem da Arte, a maneira como a linguagem será utilizada é de fundamental importância, pois existem ainda paradigmas básicos acerca do universo artístico que precisam ser rompidos para que haja uma expansão do público que dialoga com obras de arte e que também as produz, dissolvendo assim o mito de ser a Arte um canal de expressão incompreensível e acessível apenas àqueles que têm acesso ao conhecimento acadêmico e técnico ou gênios artísticos. A Arte é, antes de mais nada, um meio de expressão e diálogo para se propor idéias, suscitar discussões, tornar visível o que está oculto através do direcionamento do olhar.
Hoje o artista é o indivíduo que observa a natureza e a sociedade e interage com o mundo, devolvendo ao espaço real uma nova configuração da realidade por meio da produção artística, sendo esta a materialização da impressão do mundo e não uma mera reprodução da realidade, visto que para o feitio de cópias já dispomos de tecnologia rica, eficaz e prática.
Portanto, acredita-se que a escola seja o espaço base e ideal para o ensino-aprendizagem da Arte por ser um local apto a compartilhar saberes e produções e capacitar novas gerações para o uso da liguagem artística. Sendo assim, é possível haver uma sociedade mais coesa, consciente de suas pluralidades e tolerante, pois na Arte não se julga o certo ou errado (não que ela esteja acima do bem e do mal - está inserida na Cultura da sociedade), mas sim as formas de comunicação e expressão.



p.s.: saiba mais sobre o assunto conhecendo o projeto Arte na Escola: http://www.artenaescola.org.br/